sexta-feira, 11 de setembro de 2015

ESPAÇOS EM BRANCO

ESPAÇOS EM BRANCO

Soldado;
A sua mulher está aqui
Desde que foste ela já não sorri.

Os teus filhos também aqui estão...
Elas choram

O pai vem quando? eles perguntão.

O seu lugar ainda está vazio

Ela serve sua comida todos os dias
 hoje a comida é caranguejos do rio.

 O Jack é um poeta, saiu a sua procura
Sua última poesia está incompleta
Ele foi, deixou o caderno e a caneta
As alíneas estão brancas, ninguém as completa
Ninguém sabe realmente de onde vinham as suas letras.


 O Alberto também foi na guerra,

Na esperança que te encontrar
Em seu lugar deixou um hiato

Um enorme hiato
Toda gente reza para que ele volte a sua terra.

 Soldado, o que você estava escrevendo?
Eu olhei na sua agenda
Tem alguns espaços em branco
Me esfolei tanto, me esfolei o máximo

Mais não faço ideia de como aqueles espaços eu completo.

 A sua mãe morreu
Não aguentou o tormento de ficar afastada de ti tanto tempo
A fazenda está um deserto
Os empregados desapareceram
As plantações estão apodrecendo
O seu pai também está morto

Uma semana depois de sua mãe, ele também abandonou o corpo.

 Seu pai era pastor
Hoje a igreja está em ruínas porque não tem mais pastor.


 Soldado:

Como te chamas?
Seu nome ninguém sabe mais por todos tu és conhecido.

Jack: venha acabar o seu poema

Venha voltar a manejar a sua caneta.

 Alberto: volte a sua terra

O seu povo te espera.
Senhora fazendeira:

Levante dos escombros e mais uma vez vem colher a sua figueira.

 Pastor:

Ganhe vida mais uma vez
Volte a fazer nascer homens de fé.


VOCÊS DEIXARAM TUDO INCOMPLETO
VOLTEM AGORA E PREENCHAM OS ESPAÇOS EM BRANCO
VOLTEM E TAPEM TODO O HIATO.


Jack Kim Da'staff Jackson

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